I - PROJETO REDE PANTANAL: Área de Preservação Permanente, Piscicultura, Cerâmica e Educação para o Desenvolvimento Sócio-Econômico da Gleba Pantanal no Assentamento Nhundiaquara – Morretes – Paraná – Brasil.
II - Proponente: Associação de Defesa do Meio Ambiente e do Desenvolvimento de Antonina – ADEMADAN – Praça Coronel Macedo, 316, Centro, Caixa Postal, 94, Antonina – PR, CEP: 83370-000, telefone/fax: 41 3432 3358
III - Coordenação Geral: Eliane Beê Boldrini (Doutora em Educação), elianebeeboldrini@hotmail.com; eliane@ademadan.org.br, 41 92141224
3.1 - Equipe Técnica:
IV - Parceria: Universidade de Estudos de Ferrara – Máster Ecopolis -, Emater-Morretes, INCRA, Associação Prosperidade Gleba Pantanal; Faculdades Integradas Espírita; Faculdade Evangélica; Prefeitura Municipal de Morretes; Universidade Federal do Paraná (Laboratório de Biogeografia e Solos e Laboratório de Hidrologia (Depto. de Geografia / UFPR).
V – Justificativa/Objetivos
A Gleba Pantanal está situada na Bacia Hidrográfica do Rio do Pinto, no município de Morretes – Paraná – Brasil, uma região de alta sensibilidade à erosão e deslizamentos, em função da geomorfologia que caracteriza esta região da Serra do Mar composta pela remanescente Floresta Atlântica.
Em função desta realidade a área de assentamento é, em grande parte, composta de Áreas de Preservação Permanente (topos de morros, vertentes, nascentes, mata ciliar e etc.) que são protegidas por legislação estadual (SISLEG) fundamentada no Código Florestal. Razão pela qual são poucas as possibilidades da comunidade obter renda pelo uso da terra. Nesta comunidade moram 42 famílias.
Nesse sentido, este projeto tem por objetivo construir uma rede de parceria a fim de oferecer alternativas de renda e formação profissional, por meio da piscicultura e da cerâmica integradas com o meio ambiente (APPs), para o desenvolvimento da Gleba Pantanal, comunidade do Assentamento Nhundiaquara no município de Morretes.
Segundo pesquisas realizadas pela Mineropar, a região composta pelos municípios de Morretes, Antonina e Guaraqueçaba, no litoral do Paraná, apresenta grande diversidade de tipos de argila, próprias para a produção de objetos cerâmicos artesanais e industriais. Muitas amostras foram testadas, obtendo-se produtos de ótima qualidade e resistência. Algumas fontes forneceram argilas que permitem vitrificação em mono queima, com qualidade raramente obtida. Ao mesmo tempo os produtos cerâmicos que suprem o município, incluindo as panelas para barreado, prato típico regional, são produzidos em outros estados como Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais e que, no entanto, podem vir a serem produzidos na Gleba Pantanal como opção de renda para o uso de um solo que é pouco apropriado para a agricultura convencional. É importante, ainda, considerar que a produção de cerâmica já foi uma atividade tradicional em todos os municípios da Serra do Mar, portanto a proposta também tem por objetivo recuperar esta tradição na comunidade.
Assim como a cerâmica é uma ótima opção de renda, integrada com a piscicultura irá otimizar o uso dos tanques, posto a argila destes ser matéria prima para a cerâmica. Por sua vez a piscicultura, além de opção de renda também irá possibilitar acesso à proteína de qualidade aos assentados daquela Gleba.
A piscicultura será implantada na comunidade Gleba Pantanal por meio de uma pedagogia alternada entre teoria e prática. Para tal, durante as atividades teóricas será implantado um tanque experimental de 500m² e profundidade média de 1,2 m, com capacidade de produção de 1,8.toneladas por ano e geração de renda mensal estimada em R$330,00 /mensal.tanque.
A piscicultura é uma atividade produtiva, que permite o equilíbrio entre o interesse econômico e a exploração racional da natureza porque apresenta elevada produtividade por hectare (entre 2.500 e 10.000 Kg./ha/ano), utilizando menos superfície de terra, em comparação com outras atividades. No Brasil, mais especificamente no Vale do Ribeira, a produção anual pode chegar a 12 toneladas por hectare. Produtores da região relatam que, um dos maiores custos da produção de peixes, no município de Morretes/PR, é a ração. Dentre as diversas espécies cultivadas, a tilápia é um dos peixes que poderá ser cultivado nessas unidades de pequeno porte (tamanho médio de 4 ha) por ser uma espécie que come menos e cresce mais, apresentando uma conversão alimentar de 1,3.
Com essa conversão os impactos no ambiente também diminuem, assim como o custo de engorda. Hoje, a tilápia do nilo é a espécie de água doce mais utilizada nos cultivos comerciais, principalmente por sua rusticidade, rápido crescimento, carne de ótima qualidade e boa aceitação pelo mercado consumidor. O fácil manejo facilitará o aprendizado dos futuros piscicultores.
Visando evitar a proliferação da espécie de cultivo no ambiente, o tanque contará com redes de proteção na entrada (abastecimento) e na saída (drenagem), também o uso de alevinos revertidos sexualmente. A prática mais utilizada para o controle da reprodução é a criação de populações monossexo, assim não havendo a possibilidade de ovos fecundados passarem pela malha da rede. Além disso, os machos apresentam melhor crescimento e desempenho na engorda, uma vez que, as fêmeas, além de utilizarem grande parte de suas reservas para as atividades reprodutivas, não se alimentam durante o período da incubação oral dos ovos.
A fim de desenvolver a metodologia para aplicação do banco de dados em projetos de desenvolvimento, foi escolhida a Gleba Pantanal na Bacia Hidrográfica do Rio do Pinto devido, por um lado, devido a organização da comunidade por meio de uma associação (Associação Prosperidade Gleba Pantanal) e, por outro, porque 42 famílias foram assentadas numa área de muita restrição ambiental para a produção, portanto para o uso e a ocupação do solo. As figuras a seguir representam a Bacia Hidrográfica do Rio do Pinto na rede de drenagem que deságua na Baía de Antonina e a Gleba Pantanal sub-dividida em lotes naquela Bacia.
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Figura 01: Bacia Hidrográfica do Rio do Pinto, em Morretes-Paraná na Rede de Drenagem que deságua na Baía de Antoninae localização da Gleba antanal.
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Figura 02: Gleba Pantanal: Área sub-dividida em 42 lotes.
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VI – Metodologia
O projeto será desenvolvido em 12 meses, onde nos primeiros três meses será delimitadas as APPs, a fim de planejar as melhores áreas para desenvolver a piscicultura por meio de tanques com produção coletiva e produção individual; serão organizadas as oficinas de cerâmica e piscicultura, divididas as turmas; iniciadas os primeiros treinamentos; elaborado o projeto de engenharia do tanque experimental e solicitado o licenciamento ambiental.
Delimitadas as APPs, nos meses seguintes será feito um trabalho de conscientização com a comunidade sobre as APPs da Gleba Pantanal e levantadas propostas para o uso sustentável destas áreas com outras atividades econômicas como plantas medicinais, apicultura, ecoturismo e etc.
Abaixo arrolamos as ações que serão desenvolvidas na comunidade para a qualificação a fim de produzir objetos cerâmicos e as ações para qualificar e construir o tanque experimental, quais sejam:
Cerâmica:
Objetivo: qualificar agentes multiplicadores (60 vagas) para o desempenho de atividade artesanal: construção de objetos cerâmicos, instrumentos e materiais de trabalho, pesquisa de matéria prima e gestão de produção.
Será ofertada Oficina de Cerâmica (técnicas de construção de objetos, pesquisa de materiais, acabamentos e decoração) associada aos conteúdos teóricos e registros de fases da produção e resultados. Durante todo o processo os dados registrados sustentarão a aquisição de condutas para gestão e venda de produtos. Ainda no decorrer do processo serão construídos equipamentos e instrumentos, usando recursos alternativos. Propõe-se construção de um batedor de barbutina; uma mesa de gesso, um forno lenha e gás e instrumentos (estecas e moldes de gesso). Também pretende-se a construção de um barracão para produção coletiva.
Piscicultura:
Objetivo: Aumentar a renda, capacitar produtores e incrementar a segurança alimentar dos assentados através da construção de um módulo experimental de prática da piscicultura na Comunidade Gleba Pantanal – Assentamento Nhundiaquara – Morretes/Paraná.
Serão realizados cinco mini-cursos e cinco oficinas de construção de viveiros, manejo na piscicultura, monitoramento, planejamento da produção e gerenciamento, envolvendo os jovens no processo produtivo, a fim de transformá-los em agentes multiplicadores (custos: planilha em anexo).