Entre os dias 29 de março e 02 de abril de 2009 realizou-se em São Paulo (SP) o 8º Simpósio Nacional de Controle de Erosão, o qual teve por objetivo promover o debate sobre as novas tecnologias, trocar experiências e apontar novos desafios, sobretudo no âmbito das políticas públicas para buscar soluções mais eficazes que garantam a melhoria da gestão dos recursos hídricos e do solo.
A Ademadan, representando uma parceria entre as Faculdades Integradas Espírita e Universidade Federal do Paraná na área de Assoreamento e Planejamento de Dragagens Portuárias, contribuiu ativamente com as discussões desenvolvidas ao longo do evento, sendo que a Dra. Eliane Beê Boldrini (coordenadora do Programa CAD) participou da Mesa Redonda 6: Assoreamento em Corpos D’água, na qual discorreu sobre o tema “Planejamento de Dragagem Portuária”. Associados à temática da mencionada mesa redonda, ainda foram apresentados dois trabalhos técnico-científicos:
1- PAULA, E. V.; SANTOS, L. J. C. Mapeamento da Suscetibilidade a Processos Erosivos por meio de SIG, como Subsídio ao Monitoramento do Assoreamento na Baía de Paranaguá: estudo de caso da bacia hidrográfica do Rio Pequeno. In: SIMPÓSIO NACIONAL DE CONTROLE DE EROSÃO, 8., 2009, São Paulo. Anais... São Paulo: ABGE, 2009. CD-ROM..
2- PAULA, E. V.; BOLDRINI, E. B.; SANTOS, L. J. C.; MARÉS-MIKOSIK, A. P. O Programa CAD e a Recuperação de Bacias Hidrográficas para Mitigar o Processo de Assoreamento no Estuário de Paranaguá (PR). In: SIMPÓSIO NACIONAL DE CONTROLE DE EROSÃO, 8., 2009, São Paulo. Anais... São Paulo: ABGE, 2009. CD-ROM.
A Associação Brasileira de Geologia e Engenharia, ABGE, responsável pela organização do evento, considerou de suma importância integrar as discussões sobre Controle de Erosão com os problemas de Assoreamento nos Planejamentos de Dragagens apresentados pela ADEMADAN/FIEs/UFPr. Inclusive discutiu-se durante o evento a necessidade da ABGE contribuir de forma crítica com a revisão da Resolução CONAMA 344/04, que está sendo realizada por meio de um Grupo de Trabalho coordenado pela Câmara Técnica de Qualidade Ambiental.
Esta contribuição se justifica pelo fato de que a referida Resolução limita-se unicamente ao diagnóstico químico e físico dos sedimentos a serem dragados, segundo valores para níveis de contaminantes explicitados em uma tabela norteadora para o licenciamento ambiental das dragagens, sem mencionar sobre a necessidade de controle do assoreamento nos corpos d’águas, responsáveis pela necessidade de dragagem na maioria dos portos brasileiros.
Considerando que as dragagens portuárias são estratégicas para o desenvolvimento de qualquer país numa esfera global e envolvem milhões de recursos públicos nesta atividade, é imprescindível desenvolver políticas públicas para o controle da erosão e conseqüentemente do assoreamento em corpos d’água.
Uma vez que a rede de parceria que a ADEMADAN coordena por meio do Programa CAD desenvolve faz cinco anos uma metodologia científica de diagnóstico e monitoramento do assoreamento para ser integrada no planejamento das dragagens portuárias, foi a razão de ser convidada para participar do 8 Simpósio Brasileiro Sobre Controle de Erosão.
Vale aqui ressaltar o quanto significativo foi a escolha do símbolo do Simpósio que representa o Brasil se dissolvendo ao longo do tempo em função da falta de controle de erosão, apesar de toda tecnologia já existente e que permite tal controle, conforme ficou claro durante o Simpósio.
A ironia é que se acrescentarmos no símbolo uma draga retirando os sedimentos da zona costeira onde os corpos d’água irão desaguar levando os sedimentos, o solo brasileiro pode vir a ser matéria prima para um novo continente formado por ilhas dispersas, enquanto o velho será uma triste figura de áridos desertos e rachaduras quando um dia foi uma terra fértil.
Contribuição de
Eduardo Vedor de Paula – ADEMADAN/UFPR/FIEs
Eliane Beê Boldrini – ADEMADAN/FIEs